Você me confundiu desde a primeira vez. Eu vinha sempre aqui, fazia minhas orações. E vez por outra uma sensação mórbida dominava os meus pensamentos. Mas não era o suficiente para me fazer falhar. Eu tinha um objetivo muito concentrado: dominar o instinto que corria em mim. O cheiro de incenso. Os rostos dos santos clareados quase em música pela luz das velas. Isso me deixava tranqüilo. Apesar de saber que eu não passava de um criminoso fingindo-me de poeta. Para cada uma das minhas adoráveis vítimas, um poema surgia. E você sabe o quanto posso imprimir paixão nos meus gestos. Assim também posso imprimir paixão nas minhas palavras.
Você me pegou distraído e não me deu a mínima chance de defesa,como se o seu olhar trouxesse para minha alma a condenação de um veneno mortal. Um veneno que eu fiz questão de beber até a última gota. Se era possível nascer flores da morte, em seu olhar estava o segredo, era o que eu buscava em minhas vítimas quando estavam a ponto de desfalecer. Um túmulo gerando em silêncio suas próprias flores. Tornei-me à altura daquilo para que fui criado. Assim o médico me fez, como a um monstro poético. O segredo que quis decifrar, das tardes frias, quando a última rosa vermelha, assim como a vida, era jogada no túmulo. Queimando de paixão uma vontade nunca saciada. Os seus olhos traziam essas verdades. Um beijo escuro e frio como um sol noturno e traiçoeiro. Então jamais partirei. Receberei de você todo o veneno. Receberei de você essas pílulas que fazem você prosseguir. E farei de meu corpo doente e agradecido o lugar em que você despejará sua falta de esperança. Ainda que você jamais saiba que dentro do livro que me deu presente há uma arma carregada e engatilhada.
Não por trazermos a cicatriz é que seremos um.
Dezembro 24, 2007 at 4:10 am
Uma releitura implausível
Dezembro 24, 2007 at 4:59 am
digo o mesmo
Dezembro 24, 2007 at 11:26 am
Muito bom… envolveu-me completamente nessa leitura breve e profunda.
Dezembro 24, 2007 at 1:39 pm
Gostei muito!
Dezembro 24, 2007 at 3:09 pm
Eu gostei!!! =)
que história é essa de média aritmética??
Dezembro 24, 2007 at 5:43 pm
minha ídala!
adorei o conto
Dezembro 24, 2007 at 5:44 pm
que história é essa de média aritmética?? [2]
Dezembro 24, 2007 at 9:40 pm
de longe o melhor!!!
Dezembro 24, 2007 at 9:41 pm
isso mesmo, isso mesmo!!!
Dezembro 24, 2007 at 9:42 pm
o conto pegou o espírito da letra, e além de tudo é muito poético.
Dezembro 24, 2007 at 9:43 pm
Impressionante!
Dezembro 24, 2007 at 9:46 pm
isso, isso, isso….
lo mejor…. =)
Dezembro 25, 2007 at 12:41 pm
Bravo!
Dezembro 26, 2007 at 2:22 pm
Ainda que eu soubesse que dentro do livro há uma arma carregada e engatilhada. Arriscaria minha melhor cicatriz, mas tenho medo de ser só um! Gostei mesmo; mesmo que não gostasse foi o melhor mesmo.
Janeiro 5, 2008 at 3:56 pm
Esse é bom!
Janeiro 5, 2008 at 4:08 pm
muito bom !! dá gosto de ve… da gosto de ouvi!! a nara tem o DOM!!!
aprovado!!
Janeiro 5, 2008 at 4:10 pm
Ah! Até que enfim!
Janeiro 5, 2008 at 4:16 pm
Um beijo escuro e frio como um sol noturno e traiçoeiro.
Janeiro 5, 2008 at 4:30 pm
Muito bom!
Janeiro 5, 2008 at 4:44 pm
supimpa!
Janeiro 5, 2008 at 5:57 pm
surpreendente
e bastante envolvente
otimo!!!!
Janeiro 5, 2008 at 6:53 pm
ViBraNtE!!!
Janeiro 5, 2008 at 8:03 pm
Interessante
Janeiro 5, 2008 at 8:30 pm
um tiro