Ela esta sorrindo olhando pro teto enquanto seus belos seios miram o lustre alemão de 5 mil dólares. Já há algum tempo a água antes fervente da banheira estava fria, bem como a vida que outrora também fora quente. Quando foi que a vida se tornou esse mar de sangue? A vida é tão curta e seus 16 anos passaram tão rápido, essa dor desenfreada sempre a visitava quando as pílulas não faziam mais efeito, quando questões exageradamente fúteis e existencialistas a perseguiam. A vida é tão simples quando somos apenas crianças, agora temos de nos dar com as traições, com a hipocrisia, com o tedio hiperbolico e cruel das tardes sem sol. Quando criança, ela costumava sonhar com cavalos selvagens e borboletas azuis, campos repletos como nos contos de fada da televisão. Agora sua vida tinha armas e cicatrizes, sentimentos fanáticos e arrogantes agindo quase como uma crença sobre um desastre divino e passional. O tempo age como veneno em nossos corações. Ela ainda consegue sentir o leve gosto de sangue trazido pela água. Como seria bom se tudo fosse um sonho ruim daqueles em que acordamos empapados de suor, ela pensa. Ela pensa em seus amigos e em todos os sorrisos que ela jamais poderá dar, todas as noites de sexo sem culpa, as traições, os delírios induzidos, como seria bom viver tudo outra vez, ela vê de olhos fechados cavalos selvagens em campos abertos, borboletas azuis sobrevoam seu corpo, mas já é tarde, a não ser que alguém chegue. A hemorragia causada pelo corte em seus pulsos não irá cessar.